quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Eu tá n' Ásia

O Mantorras a contar que tá de férias na Ásia, é a única forma de brincar com este assunto. De resto, seja qual for o nosso ponto de vista, trata-se de um assunto sério, digno.

A nossa liberdade acaba quando começa a dos outros. Alguém o disse outrora e eu não me canso de o repetir. Deixemo-nos de hipocrisias. Que moralidade fétida é esta que teimam em impor aos outros? Como explicar a uma pessoa com uma doença terminal que sua vida é uma dádiva?
Movimento, animação, subsistência. Estes são alguns dos termos que definem a palavra vida.
Deixem-os em paz! Haja dignidade! Para quê infligir mais dor e sofrimento a alguém que tem uma doença incurável?

Acompanhei o debate ao longo da semana e um dos argumentos da ordem dos médicos centra-se no juramento de Hipócrates, segundo o qual a vida é vista como um dom sagrado, sobre a qual o médico não pode ser juiz de morte (ou vida) de alguém. Então e, por exemplo, ter de decidir quem é que recebe o transplante do único coração disponível no catálogo, o paciente A ou o B? Ou isso só acontece nos filmes?

Acho isto tudo uma grande hipocrisia. Qualquer dia andam a perseguir as pessoas que não fazem uma alimentação cuidada, nem tão pouco exercício e que fumam e bebem como se não houvesse amanhã! Humm, isto parece-me uma espécie de eutanásia passiva...Ou estas não são formas de morrer mais depressa?

5 comentários:

Cláudia L. disse...

Ora aqui está um tema delicado.

Eu sou a favor quando é a própria pessoa a decidir que quer acabar com a vida. Ou porque está num estado quase vegetativo há imenso tempo ou porque está a sofrer em demasia. Acho que o facto de ter uma doença incurável deva ser motivo para acabar com a vida naquele momento. Pode sempre aproveitar o que ainda resta, reforço, desde que não esteja em demasiado sofrimento.

Agora vamos lá pensar. E no caso daquelas pessoas que estão em coma há 20 anos? Esses não podem decidir. Terá sempre que ser alguém a decidir por eles em consenso com o médico. Apesar de achar que neste caso era preferível que a pessoa se fosse de vez, do que andar por cá a fazer nada.

É um assunto complicado, definitivamente.

Ricardo Batista disse...

É um assunto delicado. Admiro a coragem das pessoas que, mesmo sabendo que vão morrer, pedem para acelerar o processo e terminar com a dor.
Penso que ninguém tem o direito de tirar a vida a ninguém. Mas há uma barreira ténue entre tirar a vida a uma pessoa sem razão e tirar a vida a alguém que, no desespero, pede para que o façam. Se há consentimento por que não acatar o pedido e deixar os juízos de valor de parte.

Cláudia L. disse...

Ena pá, fizemos um comentário quase ao mesmo tempo e sem sabermos.

Só uma correcção ao meu comentário:

NÃO acho que o facto de ter uma doença incurável deva ser motivo para acabar com a vida naquele momento.

Faltou o NÃO! Senão não faz sentido nenhum.

nuno brolock disse...

Cláudia, vocês estão em sintonia!
Lá está, depende da pessoa. Só quem sente na pele é que sabe.

Em relação ao pessoal dos comas profundos, julgo que é diferente, na medida em que essas pessoas ainda podem acordar para a vida...Aí é outro tipo de esperança!

Ricardo, percebo o que dizes, mas nestes casos não se trata de "tirar a vida" porque essa, já se foi à muito tempo...

nuno brolock disse...

Cláudia, vocês estão em sintonia!
Lá está, depende da pessoa. Só quem sente na pele é que sabe.

Em relação ao pessoal dos comas profundos, julgo que é diferente, na medida em que essas pessoas ainda podem acordar para a vida...Aí é outro tipo de esperança!

Ricardo, percebo o que dizes, mas nestes casos não se trata de "tirar a vida" porque essa, já se foi à muito tempo...